O principal problema público da pequena Saint Andrews, cidadezinha a 40 minutos da capital escocesa, Edimburgo, é o cocô de cachorro. Com manchete em jornal e tudo – “Sharp lessons for litterbugs”, em maio deste ano, no The Scotsman. Aliás, não só de Saint Andrews como de toda a Escócia. O país gasta anualmente mais de 65 milhões de libras para manter o país livre das surpresinhas nas calçadas. É dinheiro usado para fazer placas de aviso, comprar novas lixeiras, contratar mais funcionários de limpeza – leia-se imigrantes turcos, indianos e paquistaneses, na maioria – e desenvolver traquitanas que auxiliem a árdua tarefa de manter as vias transitáveis (tentei fotografar uma hilária, um mini-carro com duas supervassouras nas rodas e uma pazona acoplada, mas o motorista do cata-cocô ficou meio brabo).
A preocupação com os cocozinhos virou uma obsessão pequeno-escocesa: não há esquina da cidade em que você não seja obrigado a se lembrar deles, tantos são os alertas. A multa, de 500 libras para quem for pego “esquecendo” de limpar o (haja sinônimo pra cocô, alguém tem outro aí?) já foi paga por milhares de pessoas, principalmente em Glasgow – segundo a tal reportagem – onde os reincidentes ainda são obrigados a freqüentar aulas de educação ambiental.
O hábito de levar o Totó pra passear com uma pazinha e um jornal, tão custoso ao escocês (será que é difícil usar a pá e o kilt ao mesmo tempo?), no entanto, e surpreendentemente, é mais do que normal aos cariocas. E olha que só fui descobrir que no Rio de Janeiro também se paga multa pesquisando para este texto...
Uma amiga me convidou (!) para ser colunista de um site de viagens, o Passportout. Vou escrever sobre Escocia e Espanha, um texto por mes. Este foi o primeiro post sobre as terras altas. Agora que estou longe fica bem mais divertido.
(alguem me ensina a desvirar a foto?)
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