Domingo, Dezembro 14, 2008
¡Levedad, hombre!
Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
Sexta-feira, Dezembro 05, 2008
ao vivo do rehab da kirsten dunst
Quinta-feira, Dezembro 04, 2008
Técnicas de masturbação entre Batman e Robin
Poderíamos começar falando da Fracasso Editores. É uma editora fictícia (aparece citada, por exemplo, em Técnicas de masturbação entre Batman e Robin) ou um projeto real?
Cresci num bairro violento de Cartagena de Índias. Na adolescência, registrei nossos esportes num estribilho: caçar gringas na praia e assaltar gringos nas muralhas. Queríamos ter um negócio e como não havia dinheiro fundamos a multinacional Fracasso Ltda. Seu único ativo na época era o lema: Onde for necessário um fracasso lá estaremos. Queríamos fazer música e formamos a 7 Torpes Band (éramos três). Compus canções e gravamos uma fita cassete de garagem com o título Canções medíocres. Vendemos nove fitas e decidimos gravar a segunda. Intitulava-se Canções ainda mais medíocres. Vendemos oito fitas e isso foi tudo. Depois nos dedicamos ao teatro. Nossa primeira obra se chamou Três horas olhando para um chimpanzé e teve o público record para Cartagena de sete espectadores em seis meses. Passamos para o vídeo com o filme Isso não infla a minha banana e, depois, editamos a mão meu livro de poemas Chupa menina mas devagar que por alguma razão foi considerado misógino, e um grupo de feministas comprou a edição (cem exemplares) e a queimou na Praça de San Diego. Assim, comecei esgotando uma edição.
Este ano a idéia é que Fracasso Editores comece a publicar jovens que tenham qualidade literária e por diversas razões (a estupidez dos editores é a mais comum) não tenham tido oportunidade nos grandes selos. Também faremos nosso primeiro filme em formato cinema com nossa produtora Fracasso Filmes.
Como surgiu Técnicas de masturbação entre Batman e Robin? Pergunto isso porque acabei de lê-lo e me chamou a atenção o fato de ser um romance "antinarrativo". É uma mescla de gêneros, um quebra-cabeças de idéias, sentimentos, impulsos e cultura pop...
Tinha necessidade de narrar minha precária e vertiginosa vida que não cabia neste ataúde pomposo chamado literatura. Sou feito de fragmentos da mesma forma que meus romances e tento armar o estúpido quebra-cabeças para saber quem raios sou. Não me importa nada se um saco de potoca como a Isabel Allende ou um guru light como o Paulo Coelho vendem milhões. Cada um abranda a mente e o traseiro como mais lhe apraz.
Em que projeto está trabalhando agora?
A. Estou construindo uns apartamentos em Cartagena para minha família.
B. Estou treinando para uma luta de boxe.
C. Trabalho num quarteto de novelas sob o título: Vende-se artefato para descascar maçã.
D. Vou rodar um filme com meu amigo Luis Orjuela.
E. Sairão no Brasil Era uma vez o amor mas tive que matá-lo (Planeta), a coleção de poemas Pistoleros/Putas e Dementes (Garamond) e um livro de interação intitulado Os infiéis com os escritores Marcelino Freire, Marcelo Carneiro da Cunha e Fabrício Carpinejar (Record).
(((Entrevista com o escritor colombiano Efraim Reyes, por Claudinei Vieira, do portal Cronopios)))
Terça-feira, Dezembro 02, 2008
morning sun

Le pain naïf
l'outil de tout les jours
l'intimité des choses familières,
que n'est pas capable de les laisser pour
um peu de vide où l'envie prospère?
==
El pan ingenuo
la herramienta cotidiana
la intimidad de las cosas familiares,
quién no es capaz de dejarlas para
sentir el vacío que el deseo depara?
Rainer Maria Rilke
Segunda-feira, Dezembro 01, 2008
Caixa de entrada: Guilherme para mim 17h39 (6 horas atrás)
Nada mais deprimente do que imaginar o Texto como um objeto intelectual (de reflexão, de análise, de comparação, de reflexo, etc). O Texto é, muitas vezes, apenas estilístico: há expressões felizes, ou felicidades de expressão (...) No entanto, o prazer do Texto realiza-se, por vezes, de uma forma mais profunda (e é então que se pode justamente dizer que há Texto): quando o texto "literário" (o Livro) transmigra para a nossa vida, quando uma outra escrita (a escrita do Outro) consegue escrever fragmentos da nossa própria quotidianidade, em resumo, quando se produz uma co-existência.
É do Barthes, claro (quem mais diria "prazer" e "texto" no mesmo fôlego?), na introdução ao Sade, Fourier, Loiola.
Não que esse trechinho resolva nossa questão (dedicar-se ao estudo é isolar-se do mundo?), mas acho que aponta um caminho: se deixamos de "estudar" os textos e passamos a "conviver", a "existir" com eles, então o estudo passa a ser mais uma oportunidade de aprimorar nossa forma de estar no mundo - não é um fim em si mesmo, não se esgota numa dissertação ou num livro, mas transforma a pessoa que somos e, conseqüentemente, as pessoas e o mundo à nossa volta.
O truque, acho, está na maneira como provocamos esse "conseqüentemente". Porque não é uma conseqüência natural; é preciso algum esforço pra passar do ato aparentemente solitário que é o estudo (e digo "aparentemente" porque sob essa aparência de isolamento há uma rede quase infinita de pequenas colaborações e trocas significativas que muitas vezes passam despercebidas) aos atos coletivos que podem florescer dele: e aí cabe tudo, da conversa transformadora com um amigo à atividade política no parlamento de Haia. Mas é preciso provocar isso, trabalhar pra que o estudo ultrapasse a página, a biblioteca, a sala de aula. Vamos fazer isso? Eu também preciso de um empurrão.
Melhoras pra sua psicossomose e boa sorte com a neve! Pense pelo lado bom, daqui a duas semanas você vai estar tomando uma caipirinha em que nenhum dos ingredientes é importado...
Beijos!