Domingo, Dezembro 14, 2008

¡Levedad, hombre!

Hay que despeinar la vida! Quitar todo, las gafas, los guantes, la corbata, quite todo de la vida! Levedad, hombre! Levedad! Es decir que, mas allá de todo, literatura y Pierre Bourdieu y bibliotecas y seminarios, esa primera parte del Master fue las personas que ya traigo conmigo :) Las personas que tenemos son, sin duda, las mejores viages. Antía, Nerea, Chiara, Federica, Noriko, Marco, Carlos, Dago, Lucía, Arxemiro: juntos podemos formar un editorial re(b)olucionario, ¿que os parece? (pero en Rio, que llueve menos...) Y ahora que he aprendido que la mejor pulpería se ubica cerca de la universidad, que los cajeros non recargan moviles, que "Estrela Galicia" es más barata en el mercado "Dia", ahora que ya no miro mapas, nin el plan de bus, que sé que los paraguas vuelan, que pizza no cae bien con vino, y sushi se come con las manos... ahora que ya tengo mi bar preferido, que ya viro tortilla sin platos, y que he aprendido que Fred Flinstones & Barney aquí se llaman Pablo & Pedro Picapiedras... me marcho!


Segunda-feira, Dezembro 08, 2008

hasta luego, habitación!


Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

ao vivo do rehab da kirsten dunst

Descobri que a Kirsten Dunst é alcoólatra e que está internada em uma clínica. Na mesma tarde, que o John Cusack pegava a Pamela Anderson e a Meg Ryan ao mesmo tempo. Que o Patrick Swayze já desistiu de lutar contra o câncer e começou a se despedir do mundo, com viagens e festas. A quem acredita que não há nada pior do que a TV brasileira, pois bem, descobri a TV espanhola. E dizem meus amigos daqui que a italiana es aun peor , porque os canais que passam o lixão são os estatais! Aí no Brasil a Márcia Goldschmidt (ela ainda existe?) e programas de exploração do grotesco, ou de fofocas passam à tarde, certo? Aqui a fofoca come solta o dia todo. Não tem essa de horário de dona-de-casa: os programas jornalísticos são sucedidos por programas "do corazón", (como chamam aqui, porque todos têm "do corazón no nome). E sem novela no meio, porque aqui não tem novela como no Brasil (duas ou três mexicanas). Manhã, tarde, noite, madrugada. E madrugada entenda-se por filme pornô em qualquer canal. E aqui se pega muito pesado. Vão na casa do cara perguntar se ele tá comendo a fulaninha, apanham ao vivo, um horror. Depois vêm as reconstituições com atores, tipo Fala que eu te escuto misturado com Você Decide. Aqui rolam coisas como o público escolher a roupa que a apresentadora deve usar no próximo programa. E programas tipo “Soletrando” e “Show do Milhão”, que parecem educativos e “melhor isso do que aquilo”, no Brasil, aqui estão imbuídos de, claro, caráter nacionalista. “Soletrando em galego” serve para quê, ó ingenuidade? Eu lembro que quando fui morar nos EUA tava na época do Ratinho, que era o ícone do impensável em termos de fait-divers. E lá descobri que fazia muito sucesso um programa parecido, chamado “Jerry”. Naquelas brigas de casais “adevogado! DNA!” típicas do Ratinho, o Jerry superava; os casais pediam DNA e adevogado do mesmo jeito, mas tirando a roupa. A mulher descobria que o marido traía e levantava a blusa, enfurecida, mostrando o siliconão para as câmeras. Mas isso tudo só para defender um argumento: não, não é o público que gosta. Por favor, o conceito de recepção passiva ficou lá na Escola de Frankfurt!!! O público recebe o que lhe é oferecido e responde. Se só lhe é oferecido isso – no horário que ele está em casa para ver televisão – ele só responde a isso. Então por que todo mundo prefere Big Brother ao Canal Futura à noite? Porque a publicidade cria necessidade, e narrativa seqüencial gera audiência, identificação, desde Madame Bovary, desde o teatro grego, desde sei lá quando. Não defendo ópera no horário nobre, não!!! E nem o fim da fofoca por decreto. Mas não condicionemos o público a uma condição passiva, burra, engessada. Prefiro a pluralidade, um milhão de canais, a escolha nas mãos do receptor, do sujeito da ação, que não é a repórter-anoréxica, sou eu e você. Ai, tô chata-che, eu sei. Mas eu fiquei preocupada quando vi um programa aqui que se chama “Eu sei o que vocês fizeram na noite passada”, com uma apresentadora-modelo pintando o cabelo do outro apresentador-modelo por decisão dos votos da audiência (“ele deve mudar o visual? Ligue e vote!”) enquanto chamava pro “vivo” da clínica de alguma atriz alcoólatra... como diz o Braga, o fundo do poço sempre tem um alçapão: colei aqui um trecho do "Donde estás, corazón?", em que um travesti (deve ser famoso) toma banho de piscina, cai a peruca e ele fica careca, e a platéia morre de dar risada (e ele também).

Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

Técnicas de masturbação entre Batman e Robin

(e preparando um trabalho sobre novos escritores latino-americanos)

Poderíamos começar falando da Fracasso Editores. É uma editora fictícia (aparece citada, por exemplo, em Técnicas de masturbação entre Batman e Robin) ou um projeto real?

Cresci num bairro violento de Cartagena de Índias. Na adolescência, registrei nossos esportes num estribilho: caçar gringas na praia e assaltar gringos nas muralhas. Queríamos ter um negócio e como não havia dinheiro fundamos a multinacional Fracasso Ltda. Seu único ativo na época era o lema: Onde for necessário um fracasso lá estaremos. Queríamos fazer música e formamos a 7 Torpes Band (éramos três). Compus canções e gravamos uma fita cassete de garagem com o título Canções medíocres. Vendemos nove fitas e decidimos gravar a segunda. Intitulava-se Canções ainda mais medíocres. Vendemos oito fitas e isso foi tudo. Depois nos dedicamos ao teatro. Nossa primeira obra se chamou Três horas olhando para um chimpanzé e teve o público record para Cartagena de sete espectadores em seis meses. Passamos para o vídeo com o filme Isso não infla a minha banana e, depois, editamos a mão meu livro de poemas Chupa menina mas devagar que por alguma razão foi considerado misógino, e um grupo de feministas comprou a edição (cem exemplares) e a queimou na Praça de San Diego. Assim, comecei esgotando uma edição.

Este ano a idéia é que Fracasso Editores comece a publicar jovens que tenham qualidade literária e por diversas razões (a estupidez dos editores é a mais comum) não tenham tido oportunidade nos grandes selos. Também faremos nosso primeiro filme em formato cinema com nossa produtora Fracasso Filmes.


Como surgiu Técnicas de masturbação entre Batman e Robin? Pergunto isso porque acabei de lê-lo e me chamou a atenção o fato de ser um romance "antinarrativo". É uma mescla de gêneros, um quebra-cabeças de idéias, sentimentos, impulsos e cultura pop...

Tinha necessidade de narrar minha precária e vertiginosa vida que não cabia neste ataúde pomposo chamado literatura. Sou feito de fragmentos da mesma forma que meus romances e tento armar o estúpido quebra-cabeças para saber quem raios sou. Não me importa nada se um saco de potoca como a Isabel Allende ou um guru light como o Paulo Coelho vendem milhões. Cada um abranda a mente e o traseiro como mais lhe apraz.


Em que projeto está trabalhando agora?

A. Estou construindo uns apartamentos em Cartagena para minha família.

B. Estou treinando para uma luta de boxe.

C. Trabalho num quarteto de novelas sob o título: Vende-se artefato para descascar maçã.

D. Vou rodar um filme com meu amigo Luis Orjuela.

E. Sairão no Brasil Era uma vez o amor mas tive que matá-lo (Planeta), a coleção de poemas Pistoleros/Putas e Dementes (Garamond) e um livro de interação intitulado Os infiéis com os escritores Marcelino Freire, Marcelo Carneiro da Cunha e Fabrício Carpinejar (Record).


(((Entrevista com o escritor colombiano Efraim Reyes, por Claudinei Vieira, do portal Cronopios)))


calderería

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

morning sun


Le pain naïf
l'outil de tout les jours
l'intimité des choses familières,
que n'est pas capable de les laisser pour
um peu de vide où l'envie prospère?

==

El pan ingenuo
la herramienta cotidiana
la intimidad de las cosas familiares,
quién no es capaz de dejarlas para
sentir el vacío que el deseo depara?

Rainer Maria Rilke

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

Caixa de entrada: Guilherme para mim 17h39 (6 horas atrás)

Tropecei num texto agora que talvez tenha a ver com o que a gente conversou mais cedo:

Nada mais deprimente do que imaginar o Texto como um objeto intelectual (de reflexão, de análise, de comparação, de reflexo, etc). O Texto é, muitas vezes, apenas estilístico: há expressões felizes, ou felicidades de expressão (...) No entanto, o prazer do Texto realiza-se, por vezes, de uma forma mais profunda (e é então que se pode justamente dizer que há Texto): quando o texto "literário" (o Livro) transmigra para a nossa vida, quando uma outra escrita (a escrita do Outro) consegue escrever fragmentos da nossa própria quotidianidade, em resumo, quando se produz uma co-existência.

É do Barthes, claro (quem mais diria "prazer" e "texto" no mesmo fôlego?), na introdução ao Sade, Fourier, Loiola.

Não que esse trechinho resolva nossa questão (dedicar-se ao estudo é isolar-se do mundo?), mas acho que aponta um caminho: se deixamos de "estudar" os textos e passamos a "conviver", a "existir" com eles, então o estudo passa a ser mais uma oportunidade de aprimorar nossa forma de estar no mundo - não é um fim em si mesmo, não se esgota numa dissertação ou num livro, mas transforma a pessoa que somos e, conseqüentemente, as pessoas e o mundo à nossa volta.

O truque, acho, está na maneira como provocamos esse "conseqüentemente". Porque não é uma conseqüência natural; é preciso algum esforço pra passar do ato aparentemente solitário que é o estudo (e digo "aparentemente" porque sob essa aparência de isolamento há uma rede quase infinita de pequenas colaborações e trocas significativas que muitas vezes passam despercebidas) aos atos coletivos que podem florescer dele: e aí cabe tudo, da conversa transformadora com um amigo à atividade política no parlamento de Haia. Mas é preciso provocar isso, trabalhar pra que o estudo ultrapasse a página, a biblioteca, a sala de aula. Vamos fazer isso? Eu também preciso de um empurrão.

Melhoras pra sua psicossomose e boa sorte com a neve! Pense pelo lado bom, daqui a duas semanas você vai estar tomando uma caipirinha em que nenhum dos ingredientes é importado...

Beijos!