Poderíamos começar falando da Fracasso Editores. É uma editora fictícia (aparece citada, por exemplo, em Técnicas de masturbação entre Batman e Robin) ou um projeto real?
Cresci num bairro violento de Cartagena de Índias. Na adolescência, registrei nossos esportes num estribilho: caçar gringas na praia e assaltar gringos nas muralhas. Queríamos ter um negócio e como não havia dinheiro fundamos a multinacional Fracasso Ltda. Seu único ativo na época era o lema: Onde for necessário um fracasso lá estaremos. Queríamos fazer música e formamos a 7 Torpes Band (éramos três). Compus canções e gravamos uma fita cassete de garagem com o título Canções medíocres. Vendemos nove fitas e decidimos gravar a segunda. Intitulava-se Canções ainda mais medíocres. Vendemos oito fitas e isso foi tudo. Depois nos dedicamos ao teatro. Nossa primeira obra se chamou Três horas olhando para um chimpanzé e teve o público record para Cartagena de sete espectadores em seis meses. Passamos para o vídeo com o filme Isso não infla a minha banana e, depois, editamos a mão meu livro de poemas Chupa menina mas devagar que por alguma razão foi considerado misógino, e um grupo de feministas comprou a edição (cem exemplares) e a queimou na Praça de San Diego. Assim, comecei esgotando uma edição.
Este ano a idéia é que Fracasso Editores comece a publicar jovens que tenham qualidade literária e por diversas razões (a estupidez dos editores é a mais comum) não tenham tido oportunidade nos grandes selos. Também faremos nosso primeiro filme em formato cinema com nossa produtora Fracasso Filmes.
Como surgiu Técnicas de masturbação entre Batman e Robin? Pergunto isso porque acabei de lê-lo e me chamou a atenção o fato de ser um romance "antinarrativo". É uma mescla de gêneros, um quebra-cabeças de idéias, sentimentos, impulsos e cultura pop...
Tinha necessidade de narrar minha precária e vertiginosa vida que não cabia neste ataúde pomposo chamado literatura. Sou feito de fragmentos da mesma forma que meus romances e tento armar o estúpido quebra-cabeças para saber quem raios sou. Não me importa nada se um saco de potoca como a Isabel Allende ou um guru light como o Paulo Coelho vendem milhões. Cada um abranda a mente e o traseiro como mais lhe apraz.
Em que projeto está trabalhando agora?
A. Estou construindo uns apartamentos em Cartagena para minha família.
B. Estou treinando para uma luta de boxe.
C. Trabalho num quarteto de novelas sob o título: Vende-se artefato para descascar maçã.
D. Vou rodar um filme com meu amigo Luis Orjuela.
E. Sairão no Brasil Era uma vez o amor mas tive que matá-lo (Planeta), a coleção de poemas Pistoleros/Putas e Dementes (Garamond) e um livro de interação intitulado Os infiéis com os escritores Marcelino Freire, Marcelo Carneiro da Cunha e Fabrício Carpinejar (Record).
(((Entrevista com o escritor colombiano Efraim Reyes, por Claudinei Vieira, do portal Cronopios)))
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