Descobri que a Kirsten Dunst é alcoólatra e que está internada em uma clínica. Na mesma tarde, que o John Cusack pegava a Pamela Anderson e a Meg Ryan ao mesmo tempo. Que o Patrick Swayze já desistiu de lutar contra o câncer e começou a se despedir do mundo, com viagens e festas. A quem acredita que não há nada pior do que a TV brasileira, pois bem, descobri a TV espanhola. E dizem meus amigos daqui que a italiana es aun peor , porque os canais que passam o lixão são os estatais! Aí no Brasil a Márcia Goldschmidt (ela ainda existe?) e programas de exploração do grotesco, ou de fofocas passam à tarde, certo? Aqui a fofoca come solta o dia todo. Não tem essa de horário de dona-de-casa: os programas jornalísticos são sucedidos por programas "do corazón", (como chamam aqui, porque todos têm "do corazón no nome). E sem novela no meio, porque aqui não tem novela como no Brasil (duas ou três mexicanas). Manhã, tarde, noite, madrugada. E madrugada entenda-se por filme pornô em qualquer canal. E aqui se pega muito pesado. Vão na casa do cara perguntar se ele tá comendo a fulaninha, apanham ao vivo, um horror. Depois vêm as reconstituições com atores, tipo Fala que eu te escuto misturado com Você Decide. Aqui rolam coisas como o público escolher a roupa que a apresentadora deve usar no próximo programa. E programas tipo “Soletrando” e “Show do Milhão”, que parecem educativos e “melhor isso do que aquilo”, no Brasil, aqui estão imbuídos de, claro, caráter nacionalista. “Soletrando em galego” serve para quê, ó ingenuidade? Eu lembro que quando fui morar nos EUA tava na época do Ratinho, que era o ícone do impensável em termos de fait-divers. E lá descobri que fazia muito sucesso um programa parecido, chamado “Jerry”. Naquelas brigas de casais “adevogado! DNA!” típicas do Ratinho, o Jerry superava; os casais pediam DNA e adevogado do mesmo jeito, mas tirando a roupa. A mulher descobria que o marido traía e levantava a blusa, enfurecida, mostrando o siliconão para as câmeras. Mas isso tudo só para defender um argumento: não, não é o público que gosta. Por favor, o conceito de recepção passiva ficou lá na Escola de Frankfurt!!! O público recebe o que lhe é oferecido e responde. Se só lhe é oferecido isso – no horário que ele está em casa para ver televisão – ele só responde a isso. Então por que todo mundo prefere Big Brother ao Canal Futura à noite? Porque a publicidade cria necessidade, e narrativa seqüencial gera audiência, identificação, desde Madame Bovary, desde o teatro grego, desde sei lá quando. Não defendo ópera no horário nobre, não!!! E nem o fim da fofoca por decreto. Mas não condicionemos o público a uma condição passiva, burra, engessada. Prefiro a pluralidade, um milhão de canais, a escolha nas mãos do receptor, do sujeito da ação, que não é a repórter-anoréxica, sou eu e você. Ai, tô chata-che, eu sei. Mas eu fiquei preocupada quando vi um programa aqui que se chama “Eu sei o que vocês fizeram na noite passada”, com uma apresentadora-modelo pintando o cabelo do outro apresentador-modelo por decisão dos votos da audiência (“ele deve mudar o visual? Ligue e vote!”) enquanto chamava pro “vivo” da clínica de alguma atriz alcoólatra... como diz o Braga, o fundo do poço sempre tem um alçapão: colei aqui um trecho do "Donde estás, corazón?", em que um travesti (deve ser famoso) toma banho de piscina, cai a peruca e ele fica careca, e a platéia morre de dar risada (e ele também).
Sexta-feira, Dezembro 05, 2008
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1 comentários:
Ha! Esse final de semana também vi um pouco de TV Portuguesa: um programa sobre os grandes sucessos dos anos 80 (em portugal e na música pop em inglês) e um humoristico tipo Pânico, mas pior, chamado Gato Fedorento.. Qualidade que só :)
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