para meus ex-companheiros de idéias & livros, em caixa alta e baixa. Marechal, Juliana Krapp e agora in my place Alexandre Werneck, pela notinha no jornal de hoje :) Me fez lembrar o que eu vim fazer aqui!
"Caça ao bom selvagem
A jornalista carioca Mariana Filgueiras - outrora militante do Idéias - está em Santiago de Compostela, na Espanha, onde vai transformar em dissertação de mestrado um dos fenômenos lingüísticos mais curiosos de nosso tempo, o movimento "portunhol selvagem", que sempre manteve mucho buenas relações com este caderno. Ela vai comparar a língua-manifesto sul-americana com as estratégias ibéricas de sobreposição entre português, espanhol e galego. Deve dar o que falar."
...
Só uma correção: eu não vou comparar nada com nada, porque umas das (poucas) manias, ranhetices, vícios, vá lá, que eu trago da época que eu era ainda mais chata, e mais pseudo, quando eu tinha um cabelo enooorme e era bolsista da Capes/Sesu (...) é a de rejeitar a analogia como método. A comparação, para mim, não é uma boa forma de chegar a conclusões, a não ser às precipitadas. Enfim. Não vou comparar nada, a minha pesquisa (já sei, Juvilas, este post tá chato à beça!) tem o romântico objetivo de mostrar às cabecices aqui da Europa que alguma coisa acontece abaixo da linha do Equador. Alguma coisa para alem de García Marquéz e realismo mágico, esse jargão latino (que eu adoro, mas já deu, né?). Eu fui ao Paraguay – que também não é sinônimo de quinquilharia, peloamordedeus! – e vi uma gente jovem reunida, uma buena onda, um quê de "distraídos venceremos", todos livres e criativos, e leves, misturados, juntos, era poeta do lixão de Assunção, domador de jacaré, cineasta premiado em Cannes, artistas plástico casado com xamã, índio, cantor de rap argentino, intelectual paulista... Este grupo tríplice-fronteira faz as vezes de movimento cultural e anda traduzindo, publicando, filmando, compondo numa língua livre e sem regras, a língua das fronteiras, das ruas, o portunhol selvagem. Uma mistura de guarani, português e espanhol que me batizou de Yiyi (dídi) nas águas do Ypacaray, ou Marianita Tranquitranqui (depois de uma sambarizada!) - viu, Ju, eu tenho salvação da pseudice, não? O portunhol virou notícia, virou festa, virou programa de tv (sim, em portunhol!), foi a Cannes, a Sampaulândia, a Berlim, e produziu muitos livros. A minha idéia é mostrar em que medida o movimento Portunhol Selvagem reflete uma “nova hora” cultural latino-americana. Sei lá, eu achei tudo tão ótimo lá na Paraguailândia, tão vivo, (muito mais do que estas feiras literárias meu-livro-é-abadá) que resolvi contar aqui pro pessoal do Dom Quixote, a ver, a ver...
Sábado, Novembro 15, 2008
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3 comentários:
A parte do comparar é por conta do place. Que esse negócio lembra mictório do Amarelinho e os dias gloriosos de El Manjador Verde. Beijos, Marecha
Apenas uma correção: analogia e comparação não são exatamente - e nem aproximadamente - o mesmo método analítico. O Howard S. Becker está preparando um livro novo só sobre comparações - e sobre o uso de métodos comparativos. Carlos Heitor Cony lembra que você de fato pode comparar qualquer coisa com qualquer coisa - "A divina comédia com o Almanaque Capivarol de 1946", diz ele. Comparar não significa dizer apenas que duas coisas são semelhantes nem que são apenas diferentes. Fazer analogia é um bocado dizer: tal coisa simula outra sem querer. Mas se é verdade que você não vai fazer análise comparativa e nem analogia, não significa que sua pesquisa não vai comparar (colocar uma coisa ao lado da outra), conforme, aliás, havíamos conversado.
Olha eu aqui bem debaixo do Marecha, genteeeee! Meu amor, minha presidente perfeita da Nova Ordem. Você pode inventar o que quiser. Eu escvrevi um comebt toda inspiradinha e quando vi, era e-mail (sei lá que porra!). Mas, em suma, pode empolar, pode empolar a porra toda. Você tem direito. É a Bochechita do coração. Que saudade, que amadice...
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